A empresa de biotecnologia americana Geron obteve hoje a autorização para fazer o primeiro ensaio clínico em humanos de uma terapia que usa células estaminais embrionárias, anunciou hoje a empresa.
Esta terapia destina-se a tratar lesões medulares que resultem em paralisia. Em comunicado, a empresa californiana avançou que a FDA, a agência americana responsável pela regulamentação do sector farmacêutico, deu luz verde para um ensaio de fase I de uma linha celular identificada como GRNOPC1.
Nesta etapa, a técnica é testada num pequeno grupo de pacientes de forma a avaliar a tolerância à introdução de células extraídas de embriões. A inserção das células é feita através de uma injecção dada no local onde a medula está lesionada. É fundamental que o tratamento seja administrado pouco tempo após a lesão: entre sete a 14 dias depois da pessoa ter ficado paraplégica.
Com este método, os cientistas esperam poder regenerar as células nervosas danificadas e, potencialmente, permitir que a pessoa paralisada possa voltar a ter sensibilidade e a readquirir a capacidade de se movimentar.
O pedido para a utilização deste método foi entregue na FDA em 2001 e suportado por um relatório de 21 mil páginas, onde a empresa demonstrava a eficácia do método quando aplicado em ratos e ratazanas.
As células estaminais ou células indiferenciadas, ou seja, sem uma função específica, são as únicas com capacidade para se transformarem em qualquer tipo de célula. Para além das embrionárias, há tecidos adultos que também são redutos deste tipo de células, como o sangue, a medula óssea, cordão umbilical e até a mucosa olfactiva.
A principal dificuldade para os investigadores é conseguir programar estas células de modo a que se transformem nas células dos tecidos que eles desejam obter.
Mas os problemas éticos do seu uso resumem-se às células retiradas de embriões, uma vez que, embora sendo as mais promissoras para a ciência, implicam a destruição do embrião. Por isso a ciência precisa de recorrer a embriões excedentários das técnicas de reprodução médica assistida, congelados nas clínicas da especialidade.
O anúncio da Geron chega a menos de três dias da partida de George W. Bush, que tinha proibido o financiamento público da investigação em células estaminais embrionárias desde 2001.
Um dos maiores defensores desta técnica foi o actor Christopher Reeve, celebrizado pelo papel de Super-Homem, e que ficou tetraplégico após a queda de um cavalo em 1995.
In Publico
domingo, 25 de janeiro de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Alterações climáticas Alterações climáticas na Europa vão obrigar borboletas a migrar para o Norte
As borboletas da Europa vão fugir para Norte por causa do calor. Teme-se que as mudanças climáticas provoquem grandes alterações no habitat das espécies e a ordem dos Lepidoptera (borboletas) pode ser das primeiras a reagir.
Um estudo europeu reuniu informação recolhida por milhares de voluntários sobre a distribuição das borboletas europeias e aplicou modelos climáticos para prever a reacção deste grupo de animais à subida da temperatura média do planeta neste continente. O resultado está compilado num livro chamado Climatic Risk Atlas of European Butterflies.
“A maioria das espécies vai ter de alterar radicalmente a sua distribuição. A forma como as borboletas mudam vai indicar a possível resposta de muitos outros insectos, que em conjunto totalizam dois terços de todas as espécies”, disse, citado num comunicado de imprensa, o principal autor do atlas, Josef Settele, do Centro de Helmholtz para a Investigação do Ambiente, na Alemanha.
A principal conclusão do estudo é que as borboletas vão ter que migrar para locais mais frios, quando a temperatura começar a subir demais.
Os investigadores projectaram dois cenários. O pior, que conta com uma subida da temperatura média da Europa de 4,1 graus em 2080, prevê que 95 por cento da terra que actualmente está ocupada por 70 borboletas diferentes vai tornar -se demasiado quente para estas espécies. O cenário menos radical, com uma subida da temperatura de 2,4 graus, prevê que metade das áreas onde vivem 147 espécies de borboletas vai ficar inabitável.
As borboletas têm vindo a ser ameaçadas por uma fragmentação progressiva das áreas onde vivem e pela introdução de monoculturas. Se forem obrigadas a fugir do seu habitat, ninguém sabe se conseguirão encontrar novos locais para colonizar, até porque muitas alimentam-se de uma única espécie vegetal.
O desaparecimento destes insectos pode ter um grande impacte no ecossistema. “As borboletas são importantes na cadeia alimentar, são o alimento de morcegos, aves”, disse ao PÚBLICO Maria João Verdasca, bióloga e uma das responsáveis pelo Lagartagis, o jardim das borboletas do Botânico de Lisboa. Para além disso, as borboletas “são excelentes polinizadores, se desaparecerem a polinização pode diminuir”. A informação do livro poderá ser utilizada para futuras políticas de conservação.
in publico
Um estudo europeu reuniu informação recolhida por milhares de voluntários sobre a distribuição das borboletas europeias e aplicou modelos climáticos para prever a reacção deste grupo de animais à subida da temperatura média do planeta neste continente. O resultado está compilado num livro chamado Climatic Risk Atlas of European Butterflies.
“A maioria das espécies vai ter de alterar radicalmente a sua distribuição. A forma como as borboletas mudam vai indicar a possível resposta de muitos outros insectos, que em conjunto totalizam dois terços de todas as espécies”, disse, citado num comunicado de imprensa, o principal autor do atlas, Josef Settele, do Centro de Helmholtz para a Investigação do Ambiente, na Alemanha.
A principal conclusão do estudo é que as borboletas vão ter que migrar para locais mais frios, quando a temperatura começar a subir demais.
Os investigadores projectaram dois cenários. O pior, que conta com uma subida da temperatura média da Europa de 4,1 graus em 2080, prevê que 95 por cento da terra que actualmente está ocupada por 70 borboletas diferentes vai tornar -se demasiado quente para estas espécies. O cenário menos radical, com uma subida da temperatura de 2,4 graus, prevê que metade das áreas onde vivem 147 espécies de borboletas vai ficar inabitável.
As borboletas têm vindo a ser ameaçadas por uma fragmentação progressiva das áreas onde vivem e pela introdução de monoculturas. Se forem obrigadas a fugir do seu habitat, ninguém sabe se conseguirão encontrar novos locais para colonizar, até porque muitas alimentam-se de uma única espécie vegetal.
O desaparecimento destes insectos pode ter um grande impacte no ecossistema. “As borboletas são importantes na cadeia alimentar, são o alimento de morcegos, aves”, disse ao PÚBLICO Maria João Verdasca, bióloga e uma das responsáveis pelo Lagartagis, o jardim das borboletas do Botânico de Lisboa. Para além disso, as borboletas “são excelentes polinizadores, se desaparecerem a polinização pode diminuir”. A informação do livro poderá ser utilizada para futuras políticas de conservação.
in publico
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